quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mediocridade

O título do post pode assustar, por isso de antemão já sugiro aos desavisados que antes de formar opiniões é preciso saber o significado das palavras.

Mediocridade vem de medíocre, que vem do latim mediocris, que significa médio, mediano. Ou seja, medíocre é algo utilizado para designar algo mediano, ou ordinário (comum).

Frustração é o sentimento que tive esta semana ao discutir com alguns alunos meus que supostamente trabalham com Tecnologia da Informação. Passados dois dias, acho que ainda sinto um misto de indignação e indiferença, embora acredite que eu acabe ficando com o último.

Motivo da discussão? Meus alunos medíocres não querem "ter aula" (não vou utilizar o termo "estudar" ou "aprender" porque acredito que seria esperar demais da parte deles) com materiais impressos em língua inglesa. Preferem "ter aula" somente de conteúdos cujo material esteja disponível em português! Para quem concorda com eles, devo lembrar que o nome da disciplina é "Tecnologias Atuais em Redes de Computadores".

Como é costumeiro de minha parte, tentei fazer o mea culpa: não teria eu entendido de modo errado o termo "Tecnologias Atuais"? Procurei no dicionário o significado de "atual" e o que encontrei foi "que está no presente" ou "que está em atuação". Fiquei na mesma, pois a definição continuou ambígua. Tanto poderia utilizá-la para aumentar minha indignação quanto para aliviar minha consciência. Resolvi continuar na mesma, afinal, nunca perdi o sono por problemas de alunos mesmo...

Por que então acho que os alunos devem estudar com material em inglês? Como minha opinião não vale nada, prefiro buscar dados de outras fontes. Vou me restringir a uma, o site da Brasscom:

Dados do Instituto Brasil para a Convergência Digital (IBCD) apontam que 210 mil vagas de trabalho não serão preenchidas até 2010 por falta de qualificação em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Na mesma pesquisa, o IBCD verificou que 84% dos profissionais formados na área não dominam a língua inglesa, o que é uma exigência das empresas desse setor.

“A oferta de profissionais com fluência em inglês é fundamental para a competitividade de um país no que se refere aos serviços de TI. Porém, no Brasil, o número de trabalhadores bilíngües ainda é insatisfatório”, enfatiza Antonio Carlos Rego Gil, presidente da Brasscom.

Em seis meses a empresa consegue capacitar o profissional em TI, mas não em inglês”, justifica Sirlene C. F. de Toledo, gerente de parcerias educacionais da IBM Brasil. Prova desses desafios, um levantamento feito na área de Recursos Humanos da IBM revelou que 40% dos candidatos participantes do processo de seleção da companhia são reprovados pelo baixo nível de conhecimento em inglês.

Na reunião da Brasscom, Gil disse ao ministro que o setor de TI deverá crescer a taxas de 20% ao ano, como aponta a AT Kearney, mesmo com a atual crise econômica. A perspectiva é de que as exportações de serviços de TIC saltem dos atuais US$ 1,3 bilhão para US$ 3,5 bilhões até 2010, atingindo a meta da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do Governo Federal. Para tanto, foram discutidos os principais desafios do setor que devem ser vencidos, como a redução de custos da mão-de-obra; capacitação técnica e em inglês; internacionalização das empresas locais e promoção da marca TIC Brasil.

São alguns dos argumentos para endossar o fato de que para quem trabalha em TI, inglês não é opcional, é obrigatório; reproduzo e endosso também o que o Bruno de Souza (Diretor Mundial de Tecnologias Open Source da Sun Microsystems) disse: "se você trabalha com TI, português é sua segunda língua (inglês é a sua primeira língua)". Concordo também com a Sirlene C. F. de Toledo de que é mais fácil qualificar alguém em TI do que ensinar inglês. Perdi a conta dos bons alunos e profissionais de TI que conheci que desperdiçaram excelentes oportunidades porque não sabiam inglês.

Mesmo com os fatos ainda sou obrigado a ouvir coisas como "EU não preciso saber inglês", "Só preciso saber o básico das coisas", "Não consigo entender porra nenhuma disso aí", "Se você passar esses artigos em inglês pra mim é inútil". Acho que meus ouvidos compreenderam como "Foda-se. Só quero passar de ano... não preciso aprender essas coisas".

Decidi então me limitar a "dar aula" (dar não: vender a um preço medíocre) com conteúdos que já estejam publicados em português. E vou utilizar o bom e velho Tanenbaum (eu uso a edição de 2002, que já existe em português!) Afinal, estamos em 2009 e de 2002 pra cá não mudou nada na área de TI. Definitivamente é mais cômodo para mim e para os alunos, pois tecnologias "inovadoras" só são importantes para quem sabe inglês!

2 comentários:

Renan disse...

Os profissionais de TI do Brasil realmente devem aprender inglês, porém as empresas também devem se preparar para certificações como cmmi e mps-br, grande parte das empresas cobram inglês dos funcionários, mas não estão nem tentando se organizar com o básico da engenharia (documentações, testes) e visam apenas produtividade e lucro, é realmente uma pena.. TI no Brasil precisa amadurecer muito.

Matheus disse...

Concordo com você Edson!

Os "alunos de hoje" não estão nem aí para nada, a parte boa da história é que pessoas vermelhas no meio da multidão azul são os formadores de opinião, os que "pensam diferente" e inevitavelmente ... eles sabem Inglês.

;)