sábado, 19 de julho de 2014

Carpe Diem


Há algum tempo eu ganhara de presente algumas garrafas de vinho (de rótulos muito bons). Estes vinhos me foram dados por amigos, alunos, colegas - pessoas das quais tive o prazer de compartilhar algum tempo no passado.

Antes que alguém possa me questionar, já de antemão respondo que sim, sei que o vinho possui uma série de prerrogativas para ser armazenado de modo correto. Temperatura constante, humidade, ausência de luz etc. Mas na ausência de uma adega tentei armazená-los do melhor modo possível.

Esta semana tive um ímpeto e resolvi que finalmente degustaria daqueles bons vinhos que estavam guardados. Pus quatro garrafas para refrigerar, e mais tarde escolhi uma e a abri. Tive dificuldade em abri-la, pois a rolha quase esfarelou. Verti o vinho na taça e notei um cheiro acre. A cor era de um vermelho bastante escuro e intenso. Bebi. O gosto estava horrível, com um toque azedo. Lamentei, e após um suspiro de lamentação despejei todo o conteúdo da garrafa no ralo da pia.

Repeti o mesmo processo nas outras três garrafas. Uma coisa ou outra variou durante o processo, mas sempre com o mesmo resultado: gosto ruim e o líquido escoando pelo ralo.

Esta experiência enológica frustrante levou-me a uma série de reflexões. Durante todo estes anos eu sempre guardei aqueles vinhos para poder degustá-los numa ocasião especial. Um dia especial, uma comemoração especial ou uma visita especial. Mas por um motivo ou outro nunca os abri. E quando o fiz, não pude apreciá-los pois já estavam estragados.

Muitos de nós temos outros vinhos guardados. Com outros nomes. O seu vinho pode ser uma viagem, uma comemoração, um passeio, alguém... Não deixe seus vinhos estragarem. Pois no final, nos arrependemos mais das coisas que não fizemos que das coisas que fizemos. Eu não teria me arrependido de ter tomado o vinho antes. Aproveitem as oportunidades que lhes restam, pois eu tentarei aproveitar as minhas.

Aproveitem o dia. Carpe diem.